Outra vez. Enésima será a ordem desta. Claro que haverá uma
ordem numérica para mais esta vez, talvez um dia seja enumerada. Qual a razão?
Será ela importante? Importante serão todas as explicações porque quando não a
temos a si recorremos e agora que me pergunta você mesmo, deduzo que explicação
exista.
Sabe que analisar o que aconteceu não é fácil, mais difícil
será o porquê de ter acontecido. Diga por exemplo, porque foi ele e não outro
quem desta vez me calha amar. Amar ou acompanhar, nunca sabemos o significado do
primeiro e acompanhar sempre será mais objetivo, caso não queira andar a jogar
aos conceitos. Se não responde, ou não sabe ou não quer dizer. Se não sabe
percebo que nem tudo tem explicação, nem dada por si. Se não quer dizer
deixar-me-á a pensar como até aqui tenho pensado. Em que? Nos porquês…
No inicio pensei que era amor eterno como qualquer primeiro
amor. Era tao nova e inocente. Talvez feliz por uma e outra razão. Mas tudo
acabou com a mesma intensidade com que começou. Outro amor terá aparecido na
vida dele, ou nunca nenhum amor tenha sequer chegado a aparecer.
Outros vieram, não fosse a idade propicia e a sociedade
aberta. Mas gostar de alguém não é estar agarrado. Não sou tinta para estar
sempre no papel, sou pensamento para estar e não estar. Por isso estar sempre,
aqui e ali, quando querem e como querem não era para mim. Não tenho asas mas
preciso de voar.
Se voei muito? Eu penso que pouco, o ceu é imenso e depois
do ceu algo haverá ainda mais imenso. Talvez tenha sido por voar para longe que
este também tenha voado. Mas eu voltava, como as pombas voltam ao pombal, ele
voou para não mais voltar.
Mas olhe que da outra vez não foi voar. Teve mesmo que ser.
Era o meu caminho, porque a vida se faz de suor e trabalho e se de trabalho
precisava tive de caminhar atras dele. Ele não gostou talvez. Ciúme? Ciúme do
trabalho? Não sei, mas ciúme não é de pessoas? Eu disso sei pouco, mas talvez o
senhor também não saiba muito é verdade, nunca teve companhia nem amante para
além da bondade.
Mas sabe tudo da minha vida não sabe? É omnipresente e omnisciente. Sabe que não trai nunca. Se em pensamentos? Pensamentos são meus,
não posso trair comigo própria, ou também isso é traição? Mas se nunca trai
porquê duvidarem? Confiança é a base de qualquer relacionamento, sempre ouvi
dizer.
Sim, já tive relações com confiança. Muita e mutua. Ele e eu
confiávamos, cada um cada qual. Era uma vida livre e complementar. Ele tinha a
dele e eu a minha, e no fim tínhamos a nossa. Mas quando a nossa se tornou
sempre só nossa o quotidiano e a rotina, essa batalha silenciosa, essa
comodidade assassina, talvez tenha tirado vida aquilo que era nosso.
Os outros? Sei la! A idade, porque nova já não era, o trabalho,
porque o tem que ser tem muita força, o tudo e o nada… não sei….
E diga-me lá, o senhor sabe? Sabe se algum dia terei esse
relacionamento que todos querem e talvez ninguém consiga? Eu sei que o futuro a
si lhe pertence e se comigo partilhar deixará de ser só seu. Mas olhe que
partilhar nunca fez mal a ninguém e egoísmo é característica do demónio.
Talvez tudo tenha que ir e vir. Talvez todos sejam
passageiros, e apenas o ultimo, aquele que por vezes dizemos que foi eterno
apenas o tenha sido porque também nos vamos e vimos e em algum momento temos de
partir.
Sem comentários:
Enviar um comentário